04 agosto, 2013

O frágil milagre da vida...





















Mais um ano que se vai, mais um verão, mais uma primavera, e todos aqueles percausos naturais da vida. 
Um dia chove, outro dia faz calor, um dia tem água, outro dia nem isso. Aquela gripe que chegou, a perda de uma pessoa querida, e as vezes um emaranhado de tudo isso junto. E a vida continua com mais desastres, alagamentos, prejuízos quilométricos e, o mais grave de tudo, muito mais vidas perdidas. 
E então veio uma sutil esperança de algo bom com a visita do Papa. A Fé renovada. Mas também nunca houve tantos governantes corruptos, o povo acordando de uma anestesia com as passeatas, cobrando todo um prejuízo incalculável para a população que anseia por mudanças positivas no nosso cotidiano. E toda essa tragédia desfilada aos nossos olhos pela TV me faz pensar, mais angustiadamente, na nossa vulnerabilidade. 
Não se morre só de câncer ou cólera, infarto do miocárdio ou meningite. Cada dia mais vale a máxima que eu sempre ouvi das minha mãe - "pra morrer, basta estar vivo". E você pode estar em casa, sentindo-se abrigado, protegido, a salvo. Nada. Não sei se levo muito a sério a outra máxima da minha mãe, a de que "quando chega a hora, não tem jeito", mas é terrível pensar que somos assim tão perecíveis, tão insignificantes, diante da enormidade e implacabilidade da natureza e dessa suposta "hora que chega". 
Pensei também no famoso título do Kundera, "A insustentável leveza do ser", já que embora o romance não trate necessariamente dessa fragilidade, os adjetivos "leve" e "insustentável" servem perfeitamente a esse sentimento. E o que eu mais penso agora, que há um sentimento crescendo dentro de mim, é que essa necessidade de proteção instintiva é, ao mesmo tempo, o céu e o inferno do fato de ser sermos protetores de quem amamos, pela nossa consciência de um olhar mais cuidadoso com os nossos filhos e pais. Só depois de um periodo de perdas, de amores que se foram, é que começamos a dar conta da veracidade de uma frase que antes parecia meio cafona: "a vida é um milagre". Mas por que tem que ser um milagre assim tão efêmero? No fundo, nós sempre soubemos dessa fragilidade, e que ela bate a porta de todos. Se um dia eu pudesse acabar com uma dor humana, eu cessaria a dor dos pais que perdem seus filhos. Não deve haver nenhuma pior, afinal, pra todas as outras tem morfina. 
Sei que esse texto tá pessimista demais pra um começo de ciclo, mas não é assim tão grave. Por mais inútil que nos pareça, principalmente diante de grandes catástrofes, vamos seguir tentando evitar o cigarro, as gorduras trans e o colesterol, vamos continuar trabalhando por mais conforto, habitações seguras e férias na praia, vamos fazer de tudo para que nossos filhos cresçam saudáveis e inteligentes, vamos nos solidarizar com as dores alheias de perto ou de longe, enfim vamos continuar lutando pela vida, por esse milagre tão fugaz, tão trivial e tão incrível que é nascer e continuar a estar vivo. 
Vamos dizer mais eu te amo, me desculpe, obrigado, bom dia, volte sempre, sinta-se em casa, vamos sorrir mais, vamos ter atitudes fraternas, em fim fazer da sua vida algo de bom que deixe na lembrança de quem fica, uma saudade enorme de boa, de brotar lágrimas nos olhos, de tão bom que foi estar entre pessoas que somaram em nossas vidas.

2 comentários:

Nara disse...

Esta mensagem só está pedindo mais atenção nas coisas singelas da vida,reclama por mais amor e que venha com força, que fique e faça das nossas vidas um lugar gostoso de viver, simples assim.

Theresa Silva disse...

É, primo, um milagre efêmero e nao nos damos conta que temos que aproveitá-lo da melhor maneira.
Bom texto e vem de encontro com o texto de Chaplin. Nossas escolhas dão o tom de nossa existência.
Bjsssss